terça-feira, 27 de julho de 2010

Café do Jacu, caro e exótico


Fonte: Revista Cafeicultura

Em Domingos Martins, café feito com sementes ingeridas pelo pássaro jacu é vendido a cerca de R$ 250, o quilo

Você já imaginou tomar um cafezinho feito com os grãos tirados das fezes de uma ave? E se esse café custasse algo em torno de R$ 240 o quilo? Esse café existe. Trata-se do Jacu Bird Organic Coffee, ou Café do Jacu, que é produzido na fazenda Camocim, em Pedra Azul, município de Domingos Martins, no Espírito Santo. Parece estranho, mas esse café exótico é um dos mais caros do mundo e o mais caro do Estado. Para se ter uma ideia, a maior parte da produção é vendida para as melhores cafeterias de Tóquio, Londres, Los Angeles e São Francisco. No Espírito Santo, apenas a Casa do Porto, em Vitória, a Estalagem Petra, e o restaurante Don Lorenzoni, em Pedra Azul, comercializam o Café do Jacu.

O motivo de ser tão caro e raro, é porque passa por um processo diferente dos tradicionais. Os grãos do Jacu Bird são colhidos das fezes de uma ave chamada jacu, que come os melhores frutos do cafeeiro, aqueles sem defeito e completamente maduros. Considerado uma ameaça para o lucro dos cafeicultores, pois em certos cafezais comiam até 10% da produção, o jacu passou de vilão a grande colaborador do cafeicultor e empresário Henrique Sloper, proprietário da Fazenda Camocim, em Domingos Martins. Após saber que o café mais caro do mundo – o Kopi Luwak –, da Indonésia, é produzido a partir dos grãos encontrados nas fezes do civeta, um tipo de gato selvagem, Sloper resolveu fazer a experiência com os grãos encontrados nas fezes dos jacus que devoravam a produção de arábica em sua propriedade.

E o resultado o deixou animado. Além de ser um produto exótico, o sabor do café surpreendeu até os melhores especialistas em degustação do País. A provadora e consultora de café de São Paulo, Eliana Relvas, provou o Café do Jacu e afirmou que vale a pena. “O sabor desse café é equilibrado e muito bom. Fica um gosto bom na boca. O mais diferenciado é que se trata de um produto exótico”, disse Eliana. A primeira produção do Café do Jacu ocorreu em 2006, com poucos quilos. Em 2008, atingiu cerca de 150 quilos. Agora, toda a produção é exportada. O preço? Quem dá é o produtor, que só vende quando encontra alguém que pague o valor que ele quer. “Por ser um produto exótico e o único no mundo, só vendo quando o meu comprador paga o valor que eu estipulo. Essa é uma prova de que a natureza e o homem podem viver em harmonia, pois sem o jacu esse café seria como um outro qualquer”, disse Sloper.
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PRODUTO É SUCESSO EM RESTAURANTES

DOMINGOS MARTINS – A procura pelo Jacu Bird Coffe vem aumentando em restaurantes e cafeterias no Estado, como na Estalagem Petra, em Pedra Azul, restaurantes Don Lorenzoni, em Venda Nova do Imigrante, e Casa do Porto, na Praia do Canto, Vitória. O proprietário do restaurante Don Lorenzoni, Fernando Lorenzoni, disse que o estabelecimento já se tornou referência na venda do Café do Jacu. Segundo ele, são vendidos pelo menos 150 cafezinhos por mês, a R$ 8,00 cada. “Quem já experimentou, não quer saber de outro. Começamos a vender o produto há uns oito meses e a procura só tem aumentado. Com a chegada do inverno, acredito que será ainda melhor. Após saborear as nossas massas especiais, nada melhor que tomar um Café do Jacu”, disse.

A atendente da Estalagem Petra, Priscila Machado Moraes, observou que muitas pessoas que não conhecem o café se assustam quando são informadas que o motivo do alto preço é em função dos grãos serem retirados das fezes do Jacu. “Muitas pessoas conhecem o café e vêm aqui só para comprá-lo. Mas, quem pergunta o motivo do preço diferenciado fica assustado quando explicamos”, comentou. A Casa do Porto, na Praia do Canto, Vitória, também vende o exótico café. Lá, são oferecidos em sachê, para preparar um cafezinho, além do pacote com 250g de pó ou de grãos torrados.

Camocim Estate: Jacu Bird Organic Coffee

Jacu Bird Organic Coffee

Camocim Estate, located in Pedra Azul, Espirito Santo, Brazil, is populated with a native South American bird called the Jacu. These indigenous birds are herbivores, inhabiting forested plantations (shade grown coffee areas) and feasting on the ripe coffee cherries. This is a natural selection process for quality coffee.

The current farm owner, Henrique Sloper, wrote, “as a natural supporter of the natural flora and fauna of the farm, Camocim welcomes the Jacu Bird as a member of the farm’s agro-forestry system. Rather than thinking of the Jacu Bird as a pest, eating our finest coffee cherries, we saw the opportunity to employ the Jacu Bird as one of our most effective coffee pickers. Once the Jacu bird has ingested the cherry, it eliminates the digested beans, which then lie on the ground under the coffee trees. Our staff collects these odourless droppings and transports them to the drying areas where they are dried, cleaned and stored in their parchment for up to three months”. It is important to note Henrique’s comment that the coffee is ejected in parchment form and not as hulled green bean. The Jacu Bird coffee yields a pleasantly mild cup. The dry fragrance is characterized by a mild nutty sweetness whilst the wet aromatics contains hints of molasses and brown bread, finished off by a slight black peppery note.

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